A Viagem Final
17/12/2008 - 15h42

DESCRITIVO DA ÚLTIMA VIAGEM E O HISTÓRICO DA CARGA DO PRÍNCIPE DAS ASTÚRIAS.

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Ilustração do Príncipe das Astúrias indo em direção à lage. Crédito: Revista Istoé
Acervo: Julio Castello Branco
Operações com Sino semi-Abertos com Escafrando.
Acervo: Julio Castello Branco
Ilustração da Fragata Inglesa Thetis, afundado em Arraial do Cabo.
O Príncipe das Astúrias partiu para sua viagem final no dia 11 de Fevereiro de 1916, de Barcelona, Espanha. Em sua sexta viagem, o comandante D. José Lotina estimava realizar a viagem em 25 dias. O Imediato era Antonio Salazar Llinas e o próximo destino (após o local do acidente) seria o Porto de Santos, onde chegaria com 2 dias de atraso, de acordo com o planejado. 
 
A carga do Príncipe das Astúrias continha lingotes de Cobre, Estanho e Chumbo, além de hélices de bronze para navio, dinheiro e jóias dos passageiros, correios em geral, e estátuas que seriam utilizadas na construção da Praça da Colônia Espanhola, para homenagear o 1º Centenário da Independência da Argentina.

Existem hipóteses também sobre o Príncipe das Astúrias estar carregando 55.000 libras esterlinas (em moedas de ouro), que nunca foram encontradas.
Devido a uma blitz Inglêsa no Porto do Rio de Janeiro para checar cargas e passageiros clandestinos fugindo da Europa para América do Sul, o Comandante Lotina teria desviado da sua rota costumeira, abrindo para fora da costa. Com isso, e devido ao mal tempo e o mar muito agitado, deve ter tido dificuldades de retornar para a sua rota até Santos, sendo esta umas das hipóteses de ter saído nas costas de Ilha Bela. Esta hipótese nunca foi comprovada.

A carga da ultima viagem do Príncipe das Astúrias:

Parte do romaneio, chapas de espressuras grossas das curtiças da carga do Príncipe das Astúrias foram perdidas. Através da leitura em livros e matérias de revistas, dizendo que as chapas de curtiças protegeram a maior parte da carga que o navio transportava, nos seus porões.

Porém, isto não é possível nem cabível, já que, com um bom conhecimento da matéria-prima da curtiça, que é retirada das árvores chamadas de Sombreiros, da região do Alentejo, em Portugal.

A matéria-prima da curtiça que é um material muito frágil, pois não teria menor chance de proteger as 4 explosões que aconteceram das caldeiras e das operações dos anos 50, explosões estas que causaram grandes danos nos pisos do convés e nos porões num raio aproximado de 30 a 40 metros, lançando peças pesadas, estilhaços, deslocamento de massa d`água e com impacto 2 vezes e meia maior, que se ocorresse na superficie.

Esse fato ocorre devido à concentração das moléculas estarem mais compactadas (H²O), com isso causando mais estragos e muito mais danos. Com certeza muitos morreram de hemorragia interna, nas explosões das duas caldeiras no naufrágio relâmpago, portanto é impossivel que qualquer proteção ou resistência das chapas de curtiças das cargas no porões tenha funcionado. 

Tanto é que as estátuas e lingotes estavam deformados e espalhdos pelos porões, pois estátua que foi retirada em 1995, estava toda destorcida, decaptada, sem um braço, e com rasgos de estilhaços e de peças lançadas pela força das explosões, portanto tá descartado a idéia da proteção da curtiças no porão.

Agora, as maiores preocupações são dos danos nos vasilhames de vidros de Mercúrio que se quebraram com as explosões. Acredita-se que mais de 90% dos vasilhames se partiram. Na operação de mergulho de 1986/87 constatou-se que alguns vasilhames ainda estavam intactos, mas sem nenhuma comprovação que se tratava de Mercúrio, pois a visibilidade nesta área era zero, e com muito material em suspensão. Sendo assim, a identificação dos vasilhames foi feita por tato.

Já tendo visitado locais de extrações de ouro na Bacia do Rio Amazonas (nos Estados de Rodônia, Mato Grosso, Pará, Roraima e Amazonas), que ultilizavam o Mercúrio para a separação do ouro de outros metais, como ferro (esmeril), casseterita, cobre e outros metais, trazendo assim grandes danos à flora fluvial, e também aos Garimpeiros.

Caso ocorra mais derrame deste metal liquído e pesado do Mercúrio no porão do navio, este será extremamente venenoso para flora marinha e para os mergulho de Turismo no local do naufrágio.

O correto é que fosser realizada uma minuciosa inspeção no local onde se encontra o metal vazado, e se tiver ainda no piso de casco do porão, a operação será mais facilitada. Mas se o metal vazou para o fundo do mar, que é de areia, por ser um metal líquido pesado, estará mais ou menos a uma profudidade de aproximadamente uns 2 à 3 metros abaixo do fundo do mar (a ser confirmado por sondagem).

A realização desta operação de mergulho para retirada desse Mercúrio deve ser acompanhada por um especialista nesses assuntos específicos, além de planos de mergulhos muito bem elaborados.

Certamente houveram expedições na decada de 20 e 30 para a retirada dos tesouros das 55.000 mil libras esterlinas em ouro, 11 toneladas em barras de Ouro, milhões de dolares, e as jóias encomendadas pela as elites Espanhola e Argentina.

Naquela época já se possuía recursos de operações de mergulho com escafrando avançado, e o Príncipe das Astúrias se encontrava ainda em bom estado, entre 2 e 6 anos no fundo do mar, com a companhia Pillos, provavelmente com uma seguradora no rasteio e uma empresa de mergulho de escafrandista com sinos abertos. As cargas com mais valores teriam sido retiradas por alguém com um aliado com conhecimento total do navio, mesmo com as explosões das caldeiras, que era a Companhia Pillos que tinha a planta de todo o navio. Assim chegaram ao tesouro com uma referência totalmente segura, para fazer a retirada dos tesouros com sucesso.

Não há nenhum dado que comprove esta salvatagem, é apenas uma hipótese.
  
Um exemplo é o Fragata Inglês Thetis, do século XIX, que afundou em 1830, no Arraial do Cabo, onde foi retirado 90% do tesouro em moedas e barras de ouros, na profundidade de 20 metros, com sino aberto, escafrando com cabeça de bronze, e roupa de couro ou lona.

Por ordem da Rainha da Inglaterra, colocaram centenas de toneladas de pedras, na média de cada uma pesar de 3 a 5 toneladas, e colocadas em cima do naufrágio, não tendo assim nenhum tipo de operação mergulho de acesso aos restante do tesouro que ficou. Como não se sabe o valor do que ficou no fundo, nenhuma empresa de salvatagem se habilitou a pedir à Marinha Brasileira uma licença de pesquisa, e em seguida de exploração, devido à incerteza dos valores que estejam ainda no Galeão, abaixo das toneladas de pedras, no fundo do mar.
Algumas moedas foram encontradas por mergulhadores aos redores do monte de pedras, inclusive a mergulhadora profissional Lola, instrutora de mergulho e guia de turismo submarino, que também encontrou uma moeda de ouro na beira da praia, próxima ao local do Galeão, pois ela também participou de umas das pesquisas do Príncipe das Astúrias como mergulhadora, e desenvolveu o relatório detalhado das operações de mergulhos em 1987.
 
http://www.sintasa.org.br/
Parte do alto escalão da tripulação do Astúrias, com o comandante Lotina ao centro
Tabelas e Preços de cada classe de viagem no Príncipe das Astúrias. Levantado em Barcelona
Lingotes recolhidos na expedição de 1956
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