O Mergulho
16/03/2009 - 12h05

ENTREVISTA COM O MERGULHADOR E SUPERVISOR DE MERGULHO E TÉCNICO DE NAUFRÁGIOS JULIO CASTELLO BRANCO SOBRE O NAUFRÁGIO DO PRÍNCIPE DAS ASTÚRIAS

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Foto : Merg. Julio Castello Branco
Peças doados pelos mergulhadores, expostos no Espaço Cultural da Museu da Marinha.
Mergulhador Castello saindo do mergulho de operação de fotografias submarinas do Astúrias, com mergulhador Zé Pombeiro e Mergulhadores de apoio na superfície
Mergulhador Castello e equipe no convés, na manobra de operação de mergulho.
Foto: Julio Castello Branco
Mergulhador equipado com toda a segurança para o mergulho.
Entrevistamos o Supervisor de Mergulho e Mergulhador Profissional, Julio Cesar A. Castello Branco, que fez um descritivo das condições do naufrágio nos mergulhos de pesquisas de 1986/87. Os dados são baseados no que foi observado nos mergulhos e nas pesquisas da biografia do naufrágio na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.

A visibilidade habitual é de 1 a 2 metros, fortes correntezas, águas com correntes geladas (isóbitas - várias correntes diferentes na mesma lamina d`água). No fundo é necessário técnica para não levantar material de todas as espécies, principalmente da ferrugem da decomposição do naufrágio. Se não souber trabalhar no fundo, a visibilidade fica zero, somente mergulhadores com no mínimo 15 anos de profissão conseguem trabalhar apenas utilizando-se do tato das mãos, e isso se já conhecerem a posição do naufrágio no fundo.
Castello disse que constatou efetivamente que houve duas explosões das caldeiras do P.A. no naufrágio, já que a área de máquinas estava toda aberta e exposta no fundo do mar, e com as caldeiras distantes uma das outras e em posições diferentes.
Além destas duas explosões das caldeiras, foram realizadas mais explosões mal calculadas pelos escafrandistas exploradores ambiciosos de outras épocas dos anos 50.
O fato destes mergulhadores não saberem lidar com os explosivos fez com que perdessem o controle das dimensões das explosões, inclusive uma das estátuas que estava no porão foi decaptada e perdeu o braço, principalmente devido aos estilhaços com deslocamentos da massa d`água com destroços gerados pelas fortes explosões. Mesmo com a visibilidade de material em suspensão, dava para contornar as chapas de metal das prováveis divisórias dos porões e pisos do convés de cima caídos uns sobre os outros. 

Portanto, podia-se sentir com tato das mãos que as outras estátuas pareciam preparadas para serem retiradas, devido às suas posições estarem umas do lado das outras. Podia-se perceber que havia partes distorcidas e com pequenos rasgos e perfurações, os lingotes espalhados, e outros pilhados, por conseqüência das quatro explosões ou mais, e com longo tempo no fundo com mais de 90 anos, batendo contra o costão, com o fundo em aderiva constantemente em movimento, as conrrentezas assoreando com areia cobrindo partes do naufrágio e tirando de outras parte do mesmo. 

É muito comum os mergulhadores verem uma parte limpa de uns dos compartimentos do naufrágio, e meses depois retornarem ao mesmo local, encontrar coberto de areia, não encontrando mais estes compartimentos limpos, mas sim outros que estavam cobertos de areia.

A não ser, que se utilize técnicas de operações de mergulho com equipamentos de dragagens com Air Life, mantendo os compartimentos sempre limpos para o sucesso dos trabalhos Arqueólogicos.   

As aberturas nas estátuas de bronze, tipo "beiço", indicam que as explosões foram fortes, causando muito danos de perdas total de acervos preciosos. Fotografias destes compartimentos (porões), onde estão as estátuas e outras cargas, são praticamente impossíveis, devido a densas nuvens de ferrugens sobre todo o local dos porões, causados pela fortes correntezas e rodamoinhos.
Os danos das Estátuas de bronze, uma delas já retirada nos anos 90, que só foram vistas por nós mergulhadores, apenas por tato e com aproximação rente as nossas máscaras. Julio comenta que, além dele, os mergulhadores Raul Cerqueira, José Pombeiro e Antonio Drummond (Tonel) também fizeram esta constatação.
 
Castello Branco coloca que a parte dos passageiros (gaiolas) que está de 25 a 28 metros de profundidade, a Meia-Nau, encontra-se parte assoreadas de areia e outras partes destroçadas, e que várias peças foram retiradas com pequenas explosões das piratarias por mergulhadores amadores, disfarçados de pesca submarinas, turistas submarinos e esportistas.
Na verdade são extremamentes egoístas, ambiciosos e ganânciosos, fazendo mercado negro com as vendas dos acervos e contra-bando, trazendo assim grandes danos ao naufrágio para Arqueólogia subaquática brasileira, onde se encontra partes dos porões, camarotes dos passageiros classe 1ª e 2ª classes, a cozinha e parte do salão de festa, é a onde tem um grande acervos de objetos e peças de grandes valores do século XIX e acervos de valores que pertenciam famíliares dos séculos dos seus antepassados. 

Com isso o derespeito, a falta de consciêntização da importância dos valores Aqueólogicos, dos acervos para os Museus, e da preservação da Cultura da História Marítima do Brasil.  

Julio Cesar Accarino Castello Branco é Mergulhador Profissional há 29 anos (ativo), Co-fundador da Associação dos Mergulhadores do Brasil e Co-Fundador do Sindicato de Mergulhadores Profissionais do Brasil - SINTASA, tendo sido diretor Comercial e de Desenvolvimento da COOPERBRASUB, Empresário Sub-Sat, Diretor Comercial e de Operações no Campo, realizou mergulhos profundos, saturações e foi supervisor de mergulho profundo em regime de saturação terceirizado para a Petrobras na Bácia de Campos, e outras Empresas. Consultor de recursos submarinos e marinhos e agora está dedicado a desenvolver projetos para divulgar este mundo ainda pouco conhecido, com informações de trabalhos no campo e levando a conscientização dos recusos do mar, que é o último cartucho da humanidade.
Meu contato para maiores informações: juliocastellobranco@hotmail.com
Embarcação em manobras com a base na Ponta da Pirabura, no local do naufrágio Príncipe das Astúrias - em 1956
Manobras de bóias, na base de apoio logístico e de operações de mergulho nos ano 1956
Vista da base de operações e acomodações dos Mergulhadores de 1956.
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